Olhos claros da loucura

Sinta um coração entrelaçado em arames farpados com o fogo urgindo ódio e tristeza queimando aqueles olhos claros e doces de uma pequena garota. Parecia ela tão meiga tão boa. Foi como um vulto que a vi cair! E ela estava ali, deitada como morta no chão húmido e sujo em meio às folhas secas de outono coberto de lama de um chão já infértil. O silêncio se quebra com um inspirar desesperado e um pedido de socorro.
- Quem está ai? Por favor, me ajude...
E ela começa a gritar e se remexer com ímpeto de quem sente uma dor que vem de séculos de sofrimento. A agonia toma conta de minh'alma. Não consigo mover um passo de tão estático que se encontra meu corpo. O silêncio retorna por alguns segundos. A falta de ação de minha parte causa uma nostalgia em meu interior. E mais uma vez ela quebra o silêncio com lágrimas de sofrimento. Um curto diálogo começo.
- Deus abandonou-me! Jogou-me do firmamento a terra dos sem coração! Daqueles que um palmo não vêem a frente de seu nariz. Dor! Dor é o que sinto ao me encontrar em tal lugar.
Noto que se trata de mais um de meus surtos psicóticos! Aquela que vejo remoer ódio há horas se trará de minha própria loucura! Loucura é o nome dela! A doce garota dos olhos claros, que grita em meus pensamentos rancor e tristeza! Fechemos nossos olhos, óh, amada! Joguemos-nos no esquecimento. Olhemos a nosso volta e continuemos aqui, e aqui perecemos. Você faz parte de minha mente. Compartilho esta dor contigo uma vez que nem ao menos um Deus eu tenho a  reivindicar. Não sofra, não chore. Não vale a pena desvairarmos pelo mundo a procura de respostas ou de curas. Esse Deus é inventado! Serve apenas para escravizar os mais fracos. Nossa dor acaba aqui.
Num movimento impensado saco minha adaga e com um golpe seco, suicido-me.

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