Carta de despedida

            Sinto dores e não sei de onde surgem e muito menos o porquê delas. Devem ser da angústia que sinto ao estar lhe esperando por dias, semanas ou até meses. A espera dói, mas faz parte da vida. Enfermeira! Por favor, uma dose de adrenalina. Só dessa forma para que eu ganhe forças e quem sabe, viver mais alguns dias. Enfermeira, no que será que ela está pensando agora? Será que sabe de meu estado de saúde? Sei que não é de seu interresse saber de minha vida pessoal, mas você nem imagina o quanto ela é linda, o quanto meu coração acelera quando a vejo chegar. O que acho mais lindo nela é aquele olhar irônico, lindo, que é exclusivo dela. Pode conseguir um papel e uma caneta por gentileza? Sinto que eu não passo dessa madrugada. Escreverei algo breve, pode entregar nesse endereço? Sei que posso estar me precipitando, mas não quero arriscar-me a passar desta para uma melhor sem dizer minhas últimas palavras a ela.

            “Querida S.S, não sei se está ciente de meu estado de saúde. Por meio desta carta quero que saiba que minha paixão por ti é a mesma daqueles tempos atrás. Apenas isso. Afinal, amor é amor e não necessita mais delongas. Talvez você nem chegue a abrir esta carta ao ler meu nome como remetente. Mas não me custa nada tentar, uma vez que nem desta noite talvez eu passe. Sentirei sua falta.”
Com carinho, M. 
21 de maio de 1987

3 comentários:

  1. Seu Blog é lindo, e suas palavras são fantásticas, não consigo parar de lê-las!

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  2. Obrigado, fico feliz que o que escrevo a(o) agrada. (:

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  3. Dinada imagina (:
    São realmente penetrantes, me agradam muito sim, parabéns *-*

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