Extraviada um mês antes da despedida

            Eu disse a você que da forma que começou, terminaria. Eu disse querida S.S. que mesmo no fim, eu sairia sorrindo. Não por deboche, longe disso. Sabe? Talvez eu seja a única pessoa que você conheceu que faz comédia do próprio drama! Não se preocupe comigo, ou com o que eu estou pensando agora. Sei que você pode ser qualquer coisa, mas não é injusta. Sendo assim, não me peça perdão por não ter dado certo, afinal, tudo tem seu fim. Assim como o fim da vida é a morte, o fim da paixão é a desilusão - mesmo que ela talvez nem tenha surgido em algum momento – Claro, claro. Não serei hipócrita a ponto de dizer que não me entristeci. Mas entenda, a tristeza é passageira. Se entristecer é diferente de se magoar. De ti não carrego mágoa alguma. Acredite! Muito pelo contrário, carrego doces lembranças dos poucos momentos que passamos juntos. Espero que se apaixone por alguém como me apaixonei por você. Você merece sentir isso... É tão bom. Sei que temos muita estrada juntos pela frente, mesmo que nos percamos de vista em algum momento de nossas vidas.

            Bom, agora vou parando por aqui. Minhas pálpebras estão pesando e meu punho dói. Acho que desacostumei a escrever a mão. Vou ter trabalho para revisar esta carta! Minha letra está horrível. Mas sempre vale a pena, não é? Ah, antes que eu me esqueça queria dizer que você foi a primeira pessoa a qual eu me apaixonei de verdade. E que se acaso eu voltar a me apaixonar por outra garota, saiba que meu orgulho não permitira outra brecha como essa. Por algum motivo ele só me permitiu dizer isso a você. E mais ninguém.
Com carinho, M.
05 de abril de 1987 

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