Manhã de janeiro

            Olá, Clarice. Está é a segunda carta ao qual lhe escrevo e logo pela manhã. Estou tentando criar hábitos mais saudáveis! Comer mais frutas e verduras. Sair para correr e me exercitar.  É... Eu sei que essa não é a melhor forma de se começar uma conversa. Mas achei que devia saber que estou mudando. Então me apeguei a esse detalhe. Mas isso não importa tanto. O que importa, é que estou mudando de cara, de endereço, a forma de pensar e de agir. Cai de um penhasco esses tempos, acredita? Imagino que você deva estar dando aquele seu sínico sorriso de canto de boca agora e pensando: “Como ele consegue me estrepar tanto?” E é claro que sabe de que tipo de penhasco eu cai. Mas o que posso fazer?  Sabe que gosto de emoções fortes. Mas dessa vez foi engraçado, sabe Clarice? Mas eu gostei. E apesar da fase triste da queda, da sensação de que as noites de sono estavam cada vez menores e as olheiras cada vez maiores, apesar de tudo! Fiquei feliz com o resultado. Foi por pensar assim que resolvi te escrever novamente e dizer que mudei tanto. Lembrei que no colégio, num dia em que eu estava bem triste por que a professora havia me dado um belo puxam de orelha, sabe? Você me olhou e disse: “- Não fique triste. Você não brilha quando está triste! Vamos, levante. Caia um mundo sobre nós, mas vamos sorrir. Esse foi o combinado, lembra?” Foi ai que sorrimos e saímos andando com a mochila nas costas de braços dados. Nunca me esqueci daquele dia. Foi por lembrar-me desse seu conselho que não me deixei abater. Você é engraçada, sabia? Mesmo distante sempre arruma um jeitinho de estar presente. (Até mesmo em lembranças). De todas as vezes que fui até você para conversar, você me olhava e apenas me escutava. E eu, muito entretido com o que estava dizendo quase não reparava que estava falando feito uma matraca. E assim as coisas seguiam... Sinto sua falta, Clarice. Espero que esteja tudo bem.

 PS: Tire esse maldito sorriso sínico do rosto. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário