Êxtase

Estava frio e era um pouco tarde. Uma moça jovem chorava e sentia medo. Já não sabia se amava ou odiava a si mesma, mas queria uma resposta. O telefone tocou, e é claro, ela atendeu. Porém não disse nada. Alguém parecia tentar querer que ela responde-se, mas não obteve nenhum resultado. Com a mesma expressão incrédula e sem vida ela desligou o telefone e acendeu o abajur. Pegou seu diário e começou a desenhar e escrever coisas que na verdade não faziam sentido algum e quem sabe, nem deveriam fazer. Algum tempo depois, um carro pareceu parar em frente a sua casa. Logo depois a campainha tocou várias e várias vezes e ela continuou desenhando, só que desta vez com mais força. Uma voz masculina chamava pelo seu nome incessantemente, queria que ela atendesse. Mas a garota ignorava qualquer chamado, qualquer suplicá de atenção. De repente, um momento de silencio. Um barulho ensurdecedor de porta sendo levada ao chão, e a garota, inerte. Só que desta vez, lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto enquanto ela virava as páginas do seu diário e rabiscava os mesmos desenhos sem sentido e palavras desconexas.
Alguém chamava por ela, por toda a casa. Seu cachorro latia, estava assustado. Hora ou outra ele subiria até o quarto, ela sabia disso. Mas não se movia, não tentava ao menos fugir ou se esconder. Ficava ali, em sua cama. O tal homem tentou abrir a porta, estava trancada, como todas que ele tentou abrir. Começou a chamar pelo nome da garota e nada. Tão inútil como qualquer outra tentativa. Depois de muito custo, ele conseguiu entrar. Mais uma vez tendo que levar a porta ao chão. A garota continuou a desenhar, olhou para a porta e viu a pessoa que tanto suplicou por sua atenção. Ele entrou, foi em sua direção, sentou ao seu lado. E eles ficaram ali, a noite toda. Não houve diálogo algum, até porque não foi preciso dizer nada, tão pouco fazer algo. Apenas estar ali, juntos.

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