Estopim

É quase assim... Em um instante se vê parado, sem nada a fazer. No outro se vê lendo algo que instiga. Ai você para pensar: "Por que?". Não me arrisco a negar o sentimento que sinto. Vai que encontro no caminho do trabalho um muro maior que a muralha da China. E ela seria aquele muro construído pelas minhas mãos, com tijolos carregados de sentimentos e histórias. Então não saberei se apenas aceno ou se digo “oi” ou sei lá, se pulo por cima dele e continuo andando. Não estudo violão ou bebo com os amigos da mesma forma que antes. Não parecia tão difícil, não é tão difícil. Mas quem eu quero enganar? É um corpo, são dois corpos, são dois universos. Somam-se as incógnitas, nomeia-se o nada. O rifle está apontado, mas não se cria coragem para apertar o gatilho. Põem-se a culpa em tudo, menos em você mesmo. Na raiz quadrada da questão... E Deus! Eu nem gosto de matemática. Já é a quinta madrugada que abro os olhos lembrando de algo que aconteceu entre nós e já não deve ser a primeira vez que digo isso ou que o mesmo acontece. Vamos, quero desentupir cada veia, cada artéria. Pouco a pouco. Até o sangue fluir. Vou riscar uma composição em forma de partitura no chão para que poucos entendam. Quero que os dedicados a música decifrem pouco a pouca cada compasso escrito e façam cada um com sua interpretação pessoal, ressoar cada nota da harmonia. Quem sabe assim, o som invada o universo e traga a mim alguma solução. São muitas escolhas para pouca vontade de escolher. Corre, corre, corre, corre, corre, corre... Corrói. Faz-te presente, dor insuportável. Julgue como quiser. Amasse e jogue isso fora. Faça disso o que bem querer, mas, por favor, não deixe de doer.

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