Insólito

        De certa forma, quando a existência materializa-se, é como se o horizonte dissesse que algo está prestes a acontecer. Nesse mesmo instante uma imagem se faz presente, mas aos meus olhos é quase abstrata. Consegue passar uma certa sinceridade. Parece uma porta de madeira em mogno, bem velha com uma fechadura bonita e brilhante. Eu consigo abri-la, mas o que existe por de trás da porta parece triste. É difícil entrar. É como se eu precisasse de permissão, mesmo ela estando aberta. Eu consigo avistar um frasco! É vermelho e chamativo, e brilha. A sala escura parece só ter mesmo esse frasco no centro, mas de tão escuro que é o lugar não sei dizer se existe um centro. Consegue entender? Quanto mais eu adentro as vísceras do lugar, mais fundo esse frasco parece tornar-se imenso e ele não pode ser maior que a palma da minha mão. Me permita, por misericórdia, entrar! Preciso saber o que há nesse frasco. Fica cada vez mais complicado compreender. Estou eu invadindo o meu sub-consciente? É torturante! Por que eu abri essa maldita porta, afinal? E por que aqui só há esse maldito frasco? Não consigo recuar ou avançar.

        Será essa a minha hora ou será isso uma epifania? O mais interessante nisso tudo é que não há absolutamente sentido nenhum no que digo agora e o mais engraçado: Ninguém vai me responder nada. Encontro-me sozinho com essa maldita porta e esse maldito frasco, e nem tenho conhecimento de quanto tempo terei que passar nesse lugar. Se alguém passar por aqui e encontrar esse recado, peço por tudo que há de mais sagrado! Não olhe por de trás da porta, é perturbador.

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